PRC-5

PROFSSIONALMENTE, FUI FORJADO POR QUERER SABER QUEM FALAVA NESTA CAIXA (removido)

Não escrevo sobre Edgar que, diz que, chegou “mamado” no Baenão, e nem do Leandro Carvalho que treinou em separado do grupo bicolor.
Escrevo sobre a Rádio Clube do Pará!
Foi preciso 690 saí do ar para que eu tivesse consciência da minha idealização profissional.
Desde sexta-feira, 9, que a Rádio Clube do Pará não está nos céus da Amazônia. Estou com saudade de alguns profissionais da emissora! Estou ansioso!
Gosto de ouvir Cláudio Guimarães, Ronaldo Porto, Carlos Gaia, Dinho Menezes, Paulo Fernando, Mauro Borges, Urbano, o “Coroné”. J. R. Avelar e a nova revelação do rádio, Alex Ferreira. Estes profissionais me enchem a alma.
Inobstante, o mundo jornalístico esportivo desta terra saber que alguns desses radialistas não tolerarem o meu caráter, e eu os deles, contudo nada que me impeça de ouvi-los. São ótimos!
Abri os olhos: o pai ouvia O REGATÃO VEM AÍ, da PRC-5, com Jacy Duarte, e aos domingos, à tarde, o açougueiro Joaquim, com um rádio TRANSGLOB, a pilha, fazia a festa da garotada na praça Nossa Senhora da Conceição, no Trem, ouvindo os gols de Pau Preto, Quarentinha, Edson Piola, Rubilota e tantos outros…pela PRC-5.
Volto ao primeiro parágrafo, meu fino leitor: quando “muleque”, em Macapá, na década de 60, o meu pai tinha um rádio MULLARD sobreposto numa estante com um adorno de proteção preparado pela minha mãe.
O velho passava olho de peroba na moldura do rádio, que brilhava, mas havia um ciúme da maravilha que falava e cantava. Eram essas faculdades humana que me davam cuíra para mexer no rádio do meu pai, que sabia como deixava o “brinquedo”.
Eu, com a minha inocente ignorância, pensava que dentro daquela caixa havia um homem e uma mulher falando ou cantando. Minha mãe preparando o almoço da farta prole e cuidando das guloseimas que vendia, e eu pegava uma cadeira colocava sob a estante e ficava de pé de cara para o “brinquedo” do meu pai. “Brinquedo” que custava caro, porque comprava fiado na Casa Líbia, da família Bessa.
Abria o rádio e ouvia vozes robustas com palavras bem postadas: homens e mulheres. “Quem são? ”, eu me perguntava. “Como eles conseguiam entrar naquela caixa? ”, intuía…
Quando chegava em casa, após o banho e o jantar, “Pereirinha” ia curtir o seu “brinquedo” e via que havia algo errado: “Maria, quem pegou no meu rádio? ”, indagava. “Foi o teu ‘pomba leza’”, respondia mamãe.
Pendurava-me pela orelha dizendo: “Não pegue no meu rádio! ” E pagando a dor da inquietação, ruminava internamente: “Um dia tu vais me ouvir falando dentro desta caixa! ”
Aonde estou, hoje?! Daí a certeza de que fui forjado, profissionalmente, devido minhas inquietações com aquela caixa que falava.
5 de maio de 1979. 13h. Entrei no Palácio do Rádio para pedir emprego, porque já cheguei aqui repórter esportivo. Cláudio Guimarães, diante de uma máquina datilográfica, me recebeu, mas não me olhou na cara. Pedi-lhe emprego, e como resposta ouvi: “Não tem vaga! ”
Não desanimei. Meu sonho era falar no microfone da Rádio Clube do Pará. Em 1987, quando os Barbalho compraram a Rádio, que passou a funcionar na Travessa Curuzu, fui na leva dos profissionais contratados pelo Luiz Guilherme Barbalho. Realizei um sonho. E passei 2 anos na casa.
A velha oitentona está em mim porque foi ela que me fez sonhar e realizar o profissional que sou hoje. Embora separado por 4 baias – Macapá, Vieira, arrozal e Guajará -, a PRC-5 me deu régua e compasso.
Fora do ar, há um vazio nos céus do Brasil. E que logo, logo este vazio possa ser preenchido pelo som que “fala e canta para a Amazônia”.
A minha solidariedade a todos os funcionários da Rádio Clube do Pará!
É o que há!

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